domingo, 14 de julho de 2013

Tomo 2


Mr. Invincible


18:27

Centro da cidade, Academia de Box do Tio Saf.

Socos fortes e precisos, movimentação leve e rápida; seu suor escorria pelo corpo, como o de soldados em guerra.

Seu nome ninguém sabia - ou ninguém deveria saber -, o chamavam apenas de Invincible.

O Homem Invencível, não era personagem de filme ou de estoria em quadrinho, ele realmente saia as ruas para combater o mal.


Poucos amigos, nenhum amor. O herói não era um homem feliz, não se sentia completo, mas jamais alguém poderia saber disso; afinal, sua imagem pública era intocável e deveria ser assim.

Havia feito uma promessa a si mesmo no leito de morte da mãe: que jamais se envolveria com alguém, pois sua mãe fora morta por vingança daqueles que foram mandados pra cadeia por Invincible e futuramente libertados pela justiça.

O herói com uma estaca cravada ao peito, um vazio tão extenso que parecia incurável, mas ele jamais poderia desistir. Um herói não pode simplesmente desistir, ele tem de estar la todo dia com um maldito sorriso no rosto.

                        "Nos ajude, Mr. Invincible. Salve o dia."

Saf: - Hey, Invincible, já está ficando tarde, vou ter de fechar.

Invincible: - Ok, Tio Saf, eu vou indo.

Saf: - Tenha um bom dia, Invincible. Você é o nosso herói.

Invincible: - É, eu sou o herói...

Invincible morava a poucas quadras da Academia onde treinava seu boxe. Tio Saf, como um grande fã do herói, tinha concedido o lugar para seus treinos sozinho.

Invincible havia começado como herói independente, logo ganhou reconhecimento na cidade, depois foi contratado pelas Forças Nacionais, ganhando um salário gordo e uma bela moradia acima das antenas da cidade.

Sua mãe morrera há dois anos e seu pai fugira do manicômio onde havia passado cinco anos. As buscas por ele lideradas pelo próprio Invincible não obteram resultado; ele segue desaparecido.

A roupa de Invincible para o "trabalho" era simples: camiseta branca com algumas linhas pretas, luvas brancas, uma longa capa branca e uma fina máscara branca que tapava apenas os olhos.

Seus poderes eram de um Superman e ele os tinha desde que nascera; seus pais nunca souberam lidar com isso. Na infância, teve de mudar de escola várias vezes. No ensino médio, era um garoto calmo e recatado, tentava nunca se meter em brigas pois poderia acabar matando alguém.

Força acima do normal, rapidez e a capacidade de voar: esse era Mr. Invincible.

Não, esse não era Mr. Invincible. Não se podia definir aquele herói só com seus poderes, Invincible era algo muito maior. Em primeiro lugar, humano. Um humano ferido, que nunca conseguiria a sua cura sem antes dar um autógrafo.

Invincible caminhava pela rua; tinha sim o dom de voar, mas caminhar às vezes fazia bem para a alma.

"Passa a maldita grana, quer que eu te mate!?"

Um grito vindo de um beco escuro, as luzes do hotel acessas, gatos de rua, o lixo espalhado.

"Calma, calma, eu vou dar tudo, calma!"

Invincible muda a rota para a sua casa e entra no beco; estava sem os seus trajes, vestia apenas uma calça jeans e uma camiseta preta.

Dois homens, um portando uma faca, o outro estava escorado a parede com rosto assustado tentando se esquivar da faca que se aproximava de sua garganta.

"Vamos! Me dá o dinheiro e esse relógio ai!"

Invincible: - Algum problema por aqui?

...: - Sai daqui, cara! Se não quiser que eu te fure!

Invincible: - Bom, eu te dou duas alternativas: ou você larga essa faca e corre, ou você não larga a faca e leva uma bela surra.

O homem que portava a faca tinha um rosto familiar para Invincible, seu braço direito ficava tremendo e ele apresentava sinais de loucura.

...: - Eu já disse cara, sai daqui ou eu te furo!

Invincible: - Bom, você pediu.

Mr. Invincible toca as suas luvas de boxe no rosto do homem; ele se distrai e o outro que estava sendo assaltado sai correndo pelo beco.

...: - Seu cretino, minha grana foi embora! Agora sim que eu te furo!

Ele tenta cortar Invincible, que se esquiva e acerta um soco no estômago do homem.

Invincible: - Vamos lá! Levanta!

O homem se levanta e tenta novamente cravar sua faca em Invincible, que apenas desvia dos golpes. Então Invincible segura a mão do homem que estava com a faca e a torce para os lados; o barulho de ossos quebrando se propaga no ar, logo depois o grito.

...: - Você quebrou minha mão! Desgraçado!

"Pá! Pá! Pá!"

Arma puxada da cintura, três tiros, sangue na calça jeans.

...: - Pena que você não viu minha arma! E agora? Vai lutar?

Por isso Invincible não esperava, as dores dos tiros doíam como as de qualquer outro ser humano, infelizmente ele não tinha o poder de se regenerar.

Invincible: - Eu não queria fazer isso, já estou farto de mortes na minha vida.

"Crack"

Arma ao chão, pescoço quebrado; a velocidade descomunal de Invincible era algo impressionante.

Mr. Invincible se abaixa para olhar aquele rosto de quem ele matara. Mais uma morte, mais uma que pesaria na consciência do herói; mas aquele rosto era familiar, aquele cheiro, era seu pai.

Invincible: - Nãaaaaoooo!

Herói de joelhos, matara seu sangue, quem lhe deu a vida; seu pai.



20:40

Fazenda dos Emethys

Senhor Emethy sai correndo de casa empunhando sua arma de cano longo, mancava de uma perna, o cão logo atrás.

Vários e vários hectares da plantação de milho destruídos.

Um enorme buraco no chão.

Uma mulher com lindas asas brancas, nua e com alguns cortes bem ao centro da cratera.

Lofiel.

Emethy: - Jesus! Caiu um anjo na minha plantação!



Nenhum comentário:

Postar um comentário